Patricia Novaes
Hoje temos um post especial de uma leitora do blog, Carol, trocamos alguns e-mails e eu adorei a história de vida dela, ela tem 2 filhos e teve partos totalmente diferentes, bem... leiam o post dela, tenho certeza de que todos vão adorar!



“Meu nome é Carolina, tenho 35 anos, sou mãe da Sofia, que tem 4 anos e do Vinícius que tem 1 ano e 6 meses. Sou Pedagoga de formação, mas não exerço minha profissão diretamente. Trabalho numa universidade, na gerência acadêmica.
Minha primeira gravidez foi muito tranquila, não tive enjôos, desejos, nunca senti nada.
Sofia era muito agitada na barriga, demorei a começar a sentir, mas depois que senti a primeira vez, não parou mais. Ela chutava muito, se esticava toda, as vezes eu tinha a sensação que ela iria dar a volta em mim.
Todas as vezes que fui fazer ultrassonografia, ela fazia um espetáculo, dava tchau, colocava a mão na boca, na cabeça, era muito bom, até porque quando eu levava o CD do exame para casa, todo mundo conseguia vê-la perfeitamente.
Já perto do nascimento não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a chegada da minha filha. Só queria saber de decorar o quarto, lavar e passar as roupinhas, arrumar a mala.
Com isso não tinha mais a menor paciência com o trabalho. No meu setor, já tinha uma colega de licença maternidade, eu sairia logo e não estavam preparando ninguém para nos substituir. Estava acumulando minhas funções e as dessa colega, e me sentia muito sobrecarregada. Um mês antes da data prevista para o nascimento, eu entrei de licença médica por 15 dias e depois já emendei a licença maternidade.
O parto foi marcado de repente, a última ultrassonografia mostrou que Sofia estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço e estava na consulta na quinta-feira e o médico me avisou, esteja no hospital amanhã às 6h da manhã. Assim!!! Um susto!!! Mas estava tudo pronto, fiquei tranquila.
Consegui dormir bem aquela noite, acordei bem, minha mãe falou que não imaginava que eu fosse ficar tão tranquila. E assim permaneci durante todo o procedimento. Não estava nada nervosa.
Fui para sala de cirurgia, Sofia nasceu rápido, perfeita, saudável, logo colocaram ela no meu colo.
Até hoje não sei porque, mas a primeira mamada dela não foi no peito. A enfermeira explicou que foi pedido da pediatra da maternidade, mas depois que ela veio para o quarto comigo e a mamada já estava liberada ela pegou rápido o peito. Tinha me informado bastante sobre amamentação e não tive nenhum problema.
Fomos para casa e, para eu não ficar sozinha, combinamos que minha sogra e minha cunhada ficariam em casa comigo durante o dia, até meu marido chegar do trabalho. Minha mãe também passava na minha casa todos os dias quando chegava do trabalho.
Esse foi um dos problemas que passei: muitos palpites e todos diferentes. Chegou uma hora, que eu já não aguentava mais tanta gente falando comigo que eu devia fazer assim ou assado. E no fundo, no fundo, eu sabia exatamente o que fazer, mas não queria desagradar ninguém. Eu ficava angustiada porque estava dentro da minha casa, com a minha filha e não sabia me impor. E não falo isso só por causa da sogra, não. Minha mãe também me tirava do sério...
Outro problema foi a amamentação. Apesar de não ter sentido dor, ter tido sangramento, e da Sofia ter pego direitinho o bico, ela queria ficar no peito o dia inteiro. Ela mamava os dois peitos, arrotava e dormia. Uma hora depois chorava e queria o peito novamente. Mas parecia que eles ainda não estavam cheios ainda, e ela não mamava direito. Pegava um peito e ficava nervosa, soltava toda hora, pegava o outro e fazia a mesma coisa. Com o passar do tempo intervalo de uma hora foi diminuindo e ela ficava direto no peito.
Chegava à dormir. Eu, achando que estava ferrada no sono, tirava do peito e colocava no berço. Achava que iria descansar um pouquinho e, menos de 15 minutos depois, ela já estava chorando e só se acalmava se eu desse o peito novamente. Eu me sentia exausta porque amamentar cansa, além da preocupação de estar fazendo alguma coisa errada. Nessa época fiquei esgotada.
Eu fui à três pediatras, antes de encontrar a que finalmente me adaptei melhor. E, em todas as consultas, eu falava sobre a amamentação, cada um me dava uma explicação completamente diferente e me orientava coisas igualmente diferentes. Cheguei a passar uma semana anotando cada minuto que a Sofia ficava em cada peito e todos os intervalos de minutos entre uma mamada e outra. Uma loucura. A pediatra escolhida me deixou um pouco mais tranquila dizendo que cada bebê é de um jeito, tem uma necessidade, que se a dela fosse mamar o dia inteiro, que eu deixasse mamar. Não tinha nada de errado nisso. Consegui ficar um pouco relaxada. O difícil era administrar o cansaço.
Para completar, todo dia, às 18h, começavam as cólicas. Sofia chorava, chorava, e não tinha nada que fizesse passar. Relutei muito mas acabei dando chá. Quando vi que não fazia o menor efeito, parei. Encostar a barriguinha dela na minha também não funcionava. O que aliviava um pouco, ainda que por pouco tempo foi um pozinho natural, chamado Funchicória (acho que é assim que se escreve). Algumas horas depois a cólica passava completamente.
Não é difícil imaginar que tive depressão pós-parto. Ainda que leve. Não tive pensamentos suicidas, nem violentos. Só uma tristeza profunda, uma angústia, vontade de chorar o dia todo. O pior é que todo mundo me criticava, dizendo que era besteira, frescura, que eu não tinha motivos para ficar triste, inclusive meu marido. Isso me dava uma raiva! Os únicos pensamentos negativos que eu tive foram em relação à ele. Achava que iria acontecer alguma coisa, tinha medo que ele morresse e também fiquei doente de ciúmes. Neurótica mesmo.
Sofia sempre teve alergia, acho que já nasceu alérgica. Com três meses teve bronquiolite, e estava sempre com o nariz escorrendo, espirrando, tossindo. Não me lembro da Sofia nessa época que não estivesse desse jeito. As fotos não me deixam mentir...
Estava sempre usando alguma dessas coisas nela: nebulizador, xarope, antialérgico, corticoide, antibiótico.
Por causa das mamadas irregulares da Sofia, a pediatra dela me pediu que à noite desse uma mamadeira. Para mim, isso foi ótimo, porque ela ficava satisfeita e, com dois meses, parou de acordar de madrugada para mamar. Pelo menos eu tinha a noite inteira para dormir.
Isso também me ajudou na hora de voltar a trabalhar. Quinze dias antes de voltar, conversei com a pediatra que não tinha condições de tirar leite na bombinha porque Sofia não dava espaço para isso, e também não conseguiria fazer isso no trabalho.
Como ela já tomava uma mamadeira antes de dormir, comecei a incluir outras mamadeiras nos horários anteriores. Comecei com duas, alguns dias depois três, assim por diante, até que ela só tomava mamadeira. O desmame foi tranquilo para mim e para ela. Quando voltei a trabalhar e Sofia foi para a creche, já estava totalmente adaptada.
A creche, outro capítulo complicado. Sabia que não iria parar de trabalhar, e sabia que não tinha ninguém que pudesse ficar com ela. Bom, tinha minha sogra e minha cunhada. Mas a cunhada estava sem trabalhar, mas a qualquer momento ela poderia voltar e aí? Minha sogra é idosa e doente. Não havia nenhuma chance de deixar minha filha com ela. Minha mãe perguntou que eu queria que ela parasse de trabalhar para ficar com Sofia e eu não deixei. Imagina, depois chega a época de ir mesmo para escola e como ela vai conseguir outro emprego, com a idade que tem?
Então eu decidi que a Sofia iria para creche. Ah, foi um alvoroço, que isso, que absurdo, tão bebezinha. Mas eu escolhi uma creche-escola excelente, totalmente própria e adaptada para os bebezinhos, com aula de música e educação física desde o berçário. Quer dizer, todos os projetos da escola são trabalhados com todas as crianças, inclusive o berçário.  Além disso, eu poderia ligar quantas vezes quisesse e a hora em que eu chegasse lá, subir para ver como ela estava no berçário, sem necessidade de ligar antes e marcar visita, como muitas creches fazem. Sabendo que as portas estariam sempre abertas me deixou tranquila também. Outra coisa era em relação aos medicamentos, se enviasse a cópia da receita e os remédios, eles dariam no horário anotado na agenda, inclusive fariam nebulização se fosse necessário. Fiz a adaptação dela, correu tudo bem e pude voltar ao trabalho sem maiores preocupações.
Quando chegou a época de introduzir alimentos sólidos, Sofia aceitou muito bem, tanto as frutas quanto a papinha salgada. Mas com mais ou menos um ano, ela simplesmente parou de comer. Eu tentava de tudo, brincava, cantava, enchia a cadeira de refeição de brinquedos, para ela se distrair, mas comia muito pouco e não adiantava insistir. Tinha horas em que eu ficava nervosa, ela cuspia e jogava o prato no chão. Eu me achava incompetente demais.
Até que um dia eu descobri que ela gostava do filme da Hello Kitty e passei a levar o laptop para a cozinha e colocava o filme para ela assistir. Funcionou por um tempo, ela não chegava a comer tudo, mas comia bem mais que antes. Comecei a comprar um monte de filmes da Hello Kitty (outro não funcionava, ela nem olhava), para ter uma variedade. Mas um dia ela se cansou de assistir aos filmes e voltou tudo como era antes. Comia bem pouquinho e já estava satisfeita.
Quando a Sofia estava com quase dois anos, meu casamento entrou em crise e essa crise durou uns sete meses, até que nós acabamos nos separando mesmo. Sofia sofreu demais com isso, ela é louca pelo pai e sentia muita falta dele em casa. Para ela, as visitas não eram suficientes. E eu descobri, um mês depois que nos separamos que estava grávida.
Sempre conversei muito com ela, mas quando a barriga começou a crescer, ela percebeu que tinha alguma coisa diferente, junto com a saudade que ela sentia do pai, Sofia começou a ter crises de asma, de causa emocional. Na primeira crise, não sabia o que era, vi que ela estava respirando diferente, resolvi levar na emergência e lá me falaram que era crise asmática, teria que ficar internada na UTI. Ficou três dias internada, mais dois dias no quarto. E isso se repetiu muitas vezes. Cada crise que ela tinha, era mais fraca do que a anterior, mas eu ficava apavorada. E tomando muito remédio. Nessa época, decidi procurar uma pediatra homeopata, não consegui entender uma criança tão pequena tomando tantos remédios...
Achei uma pediatra-homeopata-alergista, que foi um presente para todo mundo. Sofia começou o tratamento, remédios de manipulação e controle do ambiente e da alimentação. Cortamos um monte de coisas e aos pouquinhos, fomos reintroduzindo. Ela continuava a ter crises, mas sem nenhuma ligação com o controle que estávamos fazendo. Até que descobrimos que era emocional. Toda vez que ela ficava triste, ou com muita saudade do pai, lá vinha uma crise. E não tinha muito o que fazer, ela ainda não tinha três anos e não sabia direito como lidar com as emoções, além de conversar bastante.
A última crise que ela teve foi dia 25 de agosto de 2010, ela ficou internada no quarto até o dia seguinte, 26. Dois dias depois eu estava indo de novo para emergência, mas dessa vez em trabalho de parto...Quase saí de uma emergência para outra.
Vou voltar um pouquinho e falar da gravidez do Vinícius que acontecia no meio disso tudo: separação, Sofia com asma...mas se a gravidez dela foi tranquila, a dele foi dez vezes mais. Apesar de tudo, não me aborrecia, não me chateava com nada. Levei o trabalho até o último minuto, com a maior disposição. Nessa época trabalhava até às 10h da noite. E ainda me achava linda grávida.
Vinícius sempre foi muito tranquilo na barriga. Eu comecei a senti-lo bem cedo, com uns três meses, mas sempre devagar, delicado, parecia que tinha medo de me machucar. Ele foi assim até o final. Nos exames, eu ficava frustrada. Enquanto a Sofia dava espetáculo, o Vinícius não fazia nada, absolutamente nada. Quase não mostrou o sexo, deixou para o finalzinho do exame.
Tive que trocar de obstetra porque mudei de plano de saúde e o anterior não aceitava o plano novo. Logo no início eu perguntei se poderia ter parto normal e ele me aconselhou a não tentar. Passei a gravidez toda bem. O parto estava previsto para início de setembro e, pelas minhas contas, estava perfeito para o retorno ao trabalho. Como só teria direito aos 4 meses de licença, queria juntar mais 15 de amamentação e 15 de férias, voltando só em fevereiro.
Numa das últimas consultas, o médico me falou que ira marcar o parto para o dia 23 de agosto. Não quis de jeito nenhum, mas ele também tinha que ver as datas disponíveis no hospital e, se não fosse nessa data, só 05 de setembro e eu poderia não chegar até lá. Disse que não queria agosto, que ele tentasse antes de 05 de setembro e ele conseguiu marcar dia 03 de setembro. Para mim, estava ótimo.
Como falei antes, Sofia teve que ser internada com crise de asma dia 25 de agosto, teve alta dia 26 de manhã. Nesse mesmo dia trabalhei na parte da tarde, era uma sexta-feira. Dia 28 comecei a sentir contrações.
Fiquei apavorada, achando que o Vinícius viria antes da data. Fui para o hospital e a obstetra de plantão me examinou, disse que não tinha dilatação, ligou para meu médico e voltei para casa. Ele me pediu para voltar à emergência caso sentisse qualquer coisa e que queria me ver no consultório dele na segunda-feira de manhã.
Fui ao consultório, ele me examinou e disse que tinha marcado minha cesárea para o dia seguinte à tarde, mas isso seria dia 30, ainda agosto. Perguntei se poderia esperar até o dia marcado, já que não havia sentido mais contrações, ele falou que poderia, mas que eu poderia entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Eu quis arriscar. No dia seguinte de manhã ele me examinou e estava tudo bem, eu não sentia mais nada.
Dia 31, fui ao consultório de manhã, novamente estava tudo bem e cheguei em casa mais ou menos 11h30. Desde o primeiro dia que senti contrações, fui para casa da minha irmã, que mora no térreo e no prédio onde eu morava não havia elevador. Além disso, sempre teria alguém comigo na casa dela. Às 14h30 comecei a sentir contrações novamente. Mas eu achei que era outro alarme falso e fiquei quieta. Meu cunhado chegou do trabalho, me viu deitada, mas eu não falei nada. As dores foram aumentando. E eu quieta. Passou um tempo, eu fui para perto de onde meu cunhado estava e ele percebeu que eu não estava bem. Perguntou se queria que ele me levasse ao médico, mas eu não quis. A avó dele chegou e começou a contar os intervalos das contrações, estavam de 9 em 9 minutos. Nesse momento eu já não estava aguentando mais, liguei para minha mãe e falei que só iria para o hospital quando ela chegasse do trabalho.
As contrações passaram para de 7 em 7, de 5 em 5 e, quando chegaram de 3 em 3, a avó dele já estava desesperada, gritando para ele me levar para o hospital que não iria dar tempo. Resolvi ir para o hospital. Acho que as pessoas dos outros carros que me viam gritar, acharam que eu era louca. Fui gritando de casa até o hospital. Quando eu cheguei, não sei como, mas já tinha uma cadeira de rodas na porta do carro e um rapaz me levou lá para dentro. E eu gritando. A obstetra me examinou e falou que eu estava com 8 de dilatação. Nesse momento a bolsa estourou. Ela ligou para meu médico (até então eu não tinha sequer ligado para meu médico, que louca!) que foi correndo para o hospital.
Eu achava que quando ele chegasse, tudo iria ficar bem, o anestesista iria me livrar daquela dor fortíssima e pronto. Ledo engano. Assim que ele me examinou, falou que não daria tempo de fazer cesárea. Eu teria que ir para sala de parto na mesma hora e seria parto normal. Acho que isso foi pior do que todas as dores que eu senti. Apesar de que nessa hora, já não tinha mais intervalos nenhum, as contrações e as dores eram ininterruptas. Mas eu não estava preparada psicologicamente para ter parto normal, não sabia nem como fazer força. O médico pediu que amarrassem minhas pernas porque eu quase o chutei várias vezes.
A pediatra que acompanhava o parto dizia: “Força, mãe, que eu já estou vendo a cabeça”. Um tempo depois, ela falou a mesma coisa. Eu gritei: tem meia hora que você tá falando isso! Cadê essa cabeça que não sai!
Eu gritava: “Pelo amor de Deus, abre minha barriga! Eu sou frouxa! Eu não vou conseguir!”
Em 10 minutos o Vinícius nasceu. Nossa, que alívio, que coisa mais maravilhosa, todas as dores sumiram na mesma hora, uma coisa impressionante. E ele ficou um tempão comigo deitado em mim, eu conversando com ele, uma sensação inexplicável.
Ele nasceu às 20h14, às 23h uma enfermeira chegou no quarto e já me mandou tomar banho. Fiquei de pé e não senti nenhuma tontura, caminhei normalmente, parecia que nada tinha acontecido.
Da mesma forma que aconteceu quando a Sofia nasceu, o Vinícius também não fez a 1º mamada no peito. Deram uma mamadeira para ele. Quando trouxeram ele para mim, já para mamar, ele teve muita dificuldade em pegar o bico. Eu insistia o máximo que dava, mas chegava uma hora em que ele acabava indo para mamadeira. Isso acontecia em todas as mamadas, todas. Eu insistia o peito, ele não pegava e tomava mamadeira.
Fomos para casa e ele do mesmo jeito. A diferença é que em casa, quando eu dava a mamadeira, era com meu leite que eu tirava na bombinha, não com leite em pó, como no hospital. Mas eu insisti tanto, tanto, que aos pouquinhos ele foi pegando o peito, até que não largou mais. Ele, diferente da Sofia, mamava os dois peitos, ficava satisfeito e dormia até a próxima mamada, com intervalos marcados no relógio de 3 em 3 horas. Ele era um reloginho. Parecia um bebê dos contos de fadas. A calma que ele tinha na barriga era a mesma calma que ele tinha quando nasceu. Só dormia e mamava.
Nessa época, Sofia teve muito ciúmes do irmão. Dois dias depois de voltar para casa, ela explodiu numa crise de choro, dizendo que não gostava do irmão. Eu conversei bem tranquila com ela, que ela podia até não gostar do irmão, que ainda não conhecia ele direito, mas que a mamãe teria que cuidar dele igual cuidava dela.
Um dia ela me falou que queria se livrar dele! Fiquei apavorada. Ela, que desde que nasceu dormia em seu próprio quarto, passou a dormir comigo (até hoje, quase dois anos depois, não consigo fazê-la voltar a dormir no seu quarto). Um dia, Vinícius tinha dias, estava preparando o banho dele no banheiro e ele estava no carrinho, dentro do banheiro. O interfone do apartamento tocou e desci para abrir o portão, junto com a Sofia. Quando estava lá embaixo, olho para trás e vejo ela subindo correndo. Fui atrás, mas não consegui alcançar. Foi o tempo suficiente para ela entrar no banheiro e trancar a porta. Nossa Senhora, eu fiquei desesperada. Gritava e esmurrava a porta, pedindo para ela abrir, com medo enorme dela fazer alguma coisa. Graças à Deus, não aconteceu nada. Quando ela abriu a porta, estava com mais medo do que eu.
Como o Vinícius só mamava e dormia, eu tinha tempo para dar atenção à ela, quando não estava na escola. Brincava com ela de manhã e de noite. Quando o Vinícius choramingava, eu falava que iria dar mamá para ele e que já, já voltava.
Assim ela foi vendo que eu não deixaria de ser sua mãe porque chegou outro bebê. O fato dele ter ido para o berçário da mesma escola dela também ajudou. Ela entendeu que eu precisava trabalhar e o que acontecesse com ela, aconteceria com ele também.
Eu me virava muito bem em casa com os dois. Acho até que melhor com dois do que quando eu só tinha uma. Quando precisava sair também não passava dificuldades. Sempre saí com um ou com os dois tranquilamente, mesmo que precisasse pegar ônibus. Depois que o Vinícius nasceu passei a perceber que sou capaz de fazer tudo o que eu quiser e precisar. Antes eu era muito dependente do meu marido. Depois, quando me separei, só podia contar comigo, se eu não fizesse, ninguém mais faria por mim. Então eu ia e fazia. E sempre deu certo!
Hoje a Sofia já não sente tanto ciúmes do irmão. Sente um ciúmes “normal”, e ele tem mais ciúmes dela do que ela dele. Ela está numa fase de cuidar dele. Quer ajudar em tudo, se preocupa, conversa com ele, brinca com ele. Tá certo que algumas vezes ele atrapalha a brincadeira dela, e ela perde um pouco a paciência, mas não bate nele. Vem reclamar comigo.
Mas ele...é um pilantrinha! Sabe exatamente o que fazer para provocar a irmã e faz de propósito. Depois sai dando risada. Quando contrariado, joga longe o que estiver segurando e quer bater ou beliscar. Sofia nunca bateu. Nem nos amigos nem em mim. Mas ele quer bater em todo mundo.
Fico admirando como já tão pequeno tem uma personalidade forte, como já dá para identificar o jeito de cada um, são irmãos, mas são completamente diferentes. Acho isso fantástico! Da mesma forma que fico pensando, não dá para dizer de jeito nenhum que gosto mais de um do que do outro. Amo os dois demais, é o maior amor do mundo, inexplicável, a razão da minha vida. O que diferencia é o cuidado que cada um precisa, pois estão em fases diferentes e também porque têm necessidades diferentes.”

Carol obrigada por compartilhar conosco sua história e ser por tão sincera mostrando suas dificuldades e inseguranças, eu tenho um post sobre depressão pós parto (no meu caso pré parto) que estou enrolando pra escrever já faz um século para escrever e você me inspirou, logo logo eu volto pra contar aqui.
Beijocas a todas,
Patricia Novaes

2 Responses
  1. Daniele Says:

    Uau! Fiquei aqui, com a Nat no colo mamando e me identificando com muitas linhas do texto da Carool. Por sinal, muito bem escrito.
    É Carol, não é mole não!
    E o amor de mãe é igual para todos os filhos, sem dúvidas. A resposta de cada um é que é diferente.

    Parabéns por ser essa guerreira!
    bjs no coração


  2. ana Says:

    Carol, que mulher de garra!!!
    Bjos


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